Terapia junguiana e a simbolização da experiência com ayahuasca
- Saulo Ricardo
- 10 de fev.
- 2 min de leitura

Nos últimos meses, tenho recebido na clínica pessoas que consagram ayahuasca e buscam na terapia junguiana um espaço seguro para simbolizar suas experiências. É fundamental destacar que a ayahuasca não é indicada para todos e seu uso envolve cuidados físicos e psiquiátricos. Este texto não tem a intenção de incentivar o consumo, mas de mostrar como a análise pode apoiar quem já passou por essa experiência e deseja integrá-la à vida cotidiana.
Estudos recentes mostram que os efeitos da ayahuasca são relativamente seguros do ponto de vista neurológico quando consumida de forma supervisionada. Pesquisadores brasileiros como o neurocientista Dr. Draúlio Barros de Araújo, professor titular no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, têm investigado os efeitos cerebrais e potenciais efeitos terapêuticos da ayahuasca¹.
Para muitas pessoas, entretanto, a procura por análise clínica não está ligada apenas aos efeitos físicos, mas ao significado profundo da experiência. Na perspectiva da Psicologia Analítica, a ayahuasca pode funcionar como um catalisador de processos inconscientes: conteúdos reprimidos emergem, sombras são confrontadas e arquétipos são revelados, promovendo oportunidades de autoconhecimento e transformação psíquica.
Na terapia junguiana, essas experiências podem ser simbolizadas por meio de diálogo, escrita, desenho e exploração de sonhos. O objetivo é integrar os insights da experiência com ayahuasca à vida cotidiana de forma consciente, sem depender da substância para continuar o processo de desenvolvimento pessoal. A consagração da ayahuasca pode potencializar processos que já estão sendo trabalhados na análise, mas nunca substitui o acompanhamento terapêutico.
Dado o caráter polêmico do tema, é essencial que cada pessoa avalie seu contexto, estado emocional e saúde antes de qualquer decisão relacionada ao uso da ayahuasca, que deve ser consagrada num local respeitável e seguro. A terapia junguiana oferece um espaço seguro para simbolizar e compreender a experiência, promovendo autoconhecimento, equilíbrio emocional e clareza para escolhas conscientes.
Se você quiser aprofundar-se no tema com uma perspectiva jornalística, uma reportagem que dialoga com essa discussão científica e clínica é a matéria do G1 sobre os efeitos da ayahuasca sob o ponto de vista neurológico, incluindo entrevistas com pesquisadores como o Dr. Draúlio Barros de Araújo. Ela pode ser acessada aqui: https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2022/08/30/efeitos-da-ayahuasca-sao-bastante-seguros-sob-o-ponto-de-vista-neurologico-afirma-pesquisador.ghtml.



Amei seu texto sobre a Ayahuasca e não vejo a hora de chegar o dia da nossa sessão. Revivi um inferno após meu último ritual e preciso te contar td